Tarefa 1

 

É interessante ver como o mesmo texto parece diferente em cada resenha, não é? Cada um focaliza um aspecto diferente. Uns se posicionam claramente em relação às idéias defendidas pelo autor, outros se posicionam menos explicitamente, e alguns não se posicionam (aí não vale, pessoal!)

Aqui estão obras sugerida pelos alunos da disciplina Oficina de textos em língua portuguesa: Leitura e produção de gêneros emergentes para complementar a leitura do texto de Marcuschi sobre gêneros textuais (Marcuschi, L. A. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. In: Dionísio, Ângela Paiva, Machado, Anna Raquel, Bezerra, M. Auxiliadora. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. p. 19-36.), acompanhadas de um breve comentário.

 

Elisângela Aparecida Lopes e Renata Eliane

FURLANETTO, Maria Marta.

Produzindo textos: gêneros ou tipos?Perspectiva: Florianópolis, v. 20, n. 1, p.83-107, jan./jun. 2002

http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/pdf/Produzindo%20textos....pdf

  Nesse texto a autora tentará marcar a distinção entre gênero discursivo e tipo textual. Para isso ela irá se basear nas idéias de Bakhtin, concernentes aos gêneros discursivos, e as relacionará a outras idéias mais contemporâneas no intuito de um maior enriquecimento do trabalho.

Marta Furlanetto irá retomar os resultados e conclusões de uma pesquisa feita por ela em um trabalho anterior, intitulado Gênero Discursivo, Tipo textual e expressividade (1995), para balizar a discussão teórica que irá construir em cima do tema gênero/ tipo textual. Em todo o seu texto evoca vários teóricos e teorias para alicerçá-lo, mas faz isso de maneira que termina por não deixar muito claro seu posicionamento relativo à tal questão. Mesmo assim, podemos perceber que tende a considerar como sendo gênero: forma documental na qual um texto se apresenta, “suporte”; e tipos seriam: “as variedades de seqüências textuais (e não formas globais de textos)”(p.99). 

A autora deixa claro que é impossível classificar todas as espécies de textos que somos capazes de produzir, e que a criação de uma gramática textual não é a solução para orientar a produção e percepção de textos. Esta perspectiva é bastante interessante pois deixa aberto um espaço para que possamos considerar a importância de textos que nossa sociedade produz e que ainda não foram classificados por um cânone. Ela irá dizer que “Não podemos, pois, reduzir as múltiplas faces da linguagem em circulação a uma questão de descrição, narração e dissertação. Por isso, houve a preocupação de, na Proposta Curricular, chamar a atenção para as formas documentais de nossa sociedade, abrindo espaço para seu estudo, discussão e produção. E lá encontramos desde rezas, passando por embalagens, etiquetas, rótulos, até romances, biografias, novelas.”(p.96). Para nós isto é bastante pertinente, já que, durante este curso, estaremos tratando de textos emergentes. 

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Humberto Mendes e Maria Cristina de Souza Brandão

 

TODOROV, Tzvetan. Os gêneros do discurso. Trad. Elisa Angotti Kossovitch. São Paulo: Martins Fontes, 1980. p.43-58.

 

Apesar de ser uma obra direcionada aos estudos literários, o livro “Os gêneros do discurso”, de Tzvetan Todorov, dá uma contribuição valiosa à discussão dos gêneros textuais, porque acrescenta mais um dado ao tema: o caráter histórico.

 

No capítulo intitulado “A origem dos gêneros”, ao autor descreve a linha histórica pela qual se desenvolveram os gêneros, da Grécia Antiga até o século XX, além de estudar as variações e os motivos dessas variações nesse período.

 

Todorov define gênero como uma codificação de propriedades discursivas e diz que “um novo gênero é sempre a transformação de um ou de vários gêneros antigos: por inversão, por deslocamento, por combinação”. Ainda diz que os gêneros evidenciam os aspectos constitutivos da sociedade a que pertencem.

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Janine Rezende Rocha e Letícia dos Santos Féres

TODOROV, Tzvetan. Os gêneros do discurso. São Paulo: Martins Fontes, 1980. p. 43-58: A origem dos gêneros.

De forma sucinta, pode-se inferir que Todorov entende que a sociedade institucionaliza certas propriedades discursivas, que regem a produção e percepção dos textos. Assim, um gênero se apresenta como a codificação de determinadas propriedades discursivas. Ao mesmo tempo, estas permitem uma distinção entre vários gêneros, a partir de aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos que compõem cada discurso.

O ensaio de Todorov é uma leitura esclarecedora e prazerosa, que se inicia na modernidade, com sua tradição de transgressão, passando pela literatura fantástica e gêneros discursivos específicos de um povo do Zaire, os lubas. A definição do teórico responde bem a perguntas acerca dos gêneros literários, e também surpreende, pois além de discutir os conceitos clássicos e os de senso comum, termina concluindo que não há uma grande diferença entre o que a literatura e o que não é literatura, uma vez que ambos têm como origem o discurso humano.

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Anderson Almeida

Em Os gêneros do discurso e o texto escrito na sala de aula: uma contribuição ao ensino, Maria Angélica Freire de Carvalho Carvalho,  Maria A. F. http://www.filologia.org.br/vicnlf/anais/os%20generos.html

 

 

            Em Os gêneros do discurso e o texto escrito na sala de aula: uma contribuição ao ensino, Maria Angélica Freire de Carvalho se apóia na teoria dos gêneros do discurso, conforme Bakhtin, para defender a utilização de diversos tipos de gêneros textuais em sala de aula, não importando em qual disciplina, para que o aluno seja mais capaz de, nas palavras da autora, “refletir sobre os mecanismos lingüísticos e extra-lingüísticos que constituem o processo comunicativo”.

            Embora aprofunde pouco os temas que propõe, é um texto capaz de enriquecer nossa leitura do texto do Marcuschi, pois trata mais detidamente da utilização dos gêneros textuais no ensino.

 

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Laura Freitas
 
CAMPOS, Edson Nascimento. Gêneros e tipos textuais: notas. Texto complementar nº 11.1. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2002.
 
Comentário do texto: Gêneros e tipos textuais: notas
 
            O autor dá os conceitos de gêneros e tipos textuais, que se assemelham ao conceitos do autor Luiz Antônio Marcuschi. Campos vê gênero como construção social que atende historicamente as orientações socio-comunicativas das atividades humanas nas diversas esferas da comunicação e tipo como construções de seqüências lingüísticas. Considero qu3e o texto peca pela falta de exemplos, que facilitariam a sua compreensão.
 

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Maria Lucimar Pereira e Eliane Evangelista de Faria 

COSTA VAL, Maria da Graça. Da frase ao discurso: pequeno panorama dos estudos lingüísticos. versão preliminar, inédita 1997

O texto da professora Costa Val tem como objetivo dar aos professores de 1º e 2º graus uma visão sucinta das diferentes tendências dos estudos lingüísticos, sobretudo as mais atuais.

COSTA VAL nos apresenta três concepções de língua: como atividade mental, atividade social e como estrutura.

No  texto a autora  conclui que não se pode ignorar a atividade mental, o trabalho lingüístico do falante nos processos de "aquisição" e desenvolvimento da língua e em todo processo de produção e recepção de textos, orais ou escritos. Do mesmo modo não se pode mais negar a inter-relação língua-contexto constitutiva do sentido e da forma dos enunciados e afetando, assim, o próprio sistema lingüístico. Devemos considerar sempre, a relativa indeterminação dos subsistemas gramatical e semântico, a necessária determinação discursiva do sentido, a incompletude inerente à natureza do texto e a necessária ação do falante no processo de produção de sentido.

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Maria Inês

 

BARBOSA, Jacqueline Peixoto. Do professor suposto pelos PCNs ao professor real de Língua Portuguesa: são os PCNs praticáveis. In: A prática de linguagem em sala de aula praticando os PCNs. São Paulo: EDUC, 2000.

 

No texto ‘Do professor suposto pelos PCNs ao professor real de língua portuguesa: são os PCNs praticáveis?’ de  Jacqueline Peixoto Barbosa, onde a autora apresenta propostas de trabalhos com os gêneros de discurso em sala de aula, é apresentada uma abordagem bastante pertinente acerca do que foi levantado por Mascuschi em ‘Gêneros textuais: definição e funcionalidade’:

 

“(...) A noção de gênero permite incorporar elementos da ordem do social e do histórico (que aparecem na própria definição da noção); permite considerar a situação de produção de um dado discurso (quem fala, para quem, lugares sociais dos interlocutores, posicionamentos ideológicos, em que situação, em que momentos históricos, em que veículo, com que objetivo, finalidade ou intenção, em que registra, etc.); abrange o conteúdo temático – o que pode ser dizível em um dado gênero, a construção composicional – sua forma de dizer, sua organização geral que não é inventada a cada vez que nos comunicamos, mas que está disponível em circulação social – e seu estilo verbal – seleção de recursos disponibilizados pela língua, orientada pela posição enunciativa do produtor do texto. Neste sentido, a apropriação de um determinado gênero passa, necessariamente, pela vinculação deste com seu contexto sócio-histórico-cultural de circulação”.

 

“(...) os gêneros seriam, assim, um instrumento que media, dá forma, viabiliza a materialização de uma atividade de linguagem”.

  

Este texto é muito interessante para professores de português, pois nele a autora discute e propõe formas de trabalho com os gêneros em sala de aula e também faz críticas sobre o assunto tão abordado nos Parâmetros Curriculares Nacionais de língua portuguesa. As duas citações acima retomam o que foi dito por Marcuschi a respeito das noções e características dos gêneros textuais, ou seja, os gêneros não se caracterizam por apresentarem formas estruturais estáticas e definidas, pelo seu conteúdo temático, estilo e construção composicional, sendo assim determinados por atividades sócio-discursivas.

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Alexandre Funghi

 

“Para BRONCKART (1994), os gêneros constituem ações de linguagem que requerem do agente produtor uma série de decisões que ele necessita  ter competência para executar: a primeira delas é a escolha que deve ser feita a partir do rol de gêneros existentes, em que ele escolherá aquele que lhe parece adequado ao contexto e à intenção comunicativa; e a segunda, é a decisão e aplicação que poderá acrescentar algo a forma destacada ou recriá-la. Este autor conclui:”.
 
            A escolha do gênero deverá, portanto, levar em conta os objetivos visados, o lugar social e os papéis dos participantes. Além disso, o agente deverá adaptar o modelo do gênero a seus valores particulares, dotando um estilo próprio, ou mesmo contribuindo para a constante transformação dos modelos. (BRONCKART, 1994.).
 
            Este penúltimo parágrafo foi escrito pela Professora Maria Angélica Freire de Carvalho (UERJ, UNICAMP). Recomendo sua leitura, principalmente para os alunos interessados em lecionar. O texto intitulado “Os gêneros do discurso e o texto escrito na sala de aula, uma contribuição ao ensino” está disponível no site http://www.filologia.org.br/vicnlf/anais/os%20generos.html e o texto original de Bronckart segue sua referência, em francês.
 
J.P. Bronckart (1994): "Aspects génériques, typiques et singuliers de l'organisation textuelle; des actions aux discours, Texte et compréhension'', Actes du colloque organisé par l'université Complutense de Madrid, les 18-20 novembre 1993. Madrid: A.D.E.F., pp. 73-88.
 

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Rita Cristina

O texto que achei interessante passar para vocês como indicação é chamado de Manual porque apresenta um estudo sobre gêneros textuais seguido de sugestões de como aplicar este estudo em sala de aula, na prática..

No Alta Vista, dia 08/05/03, bati Gêneros Textuais e entrei no site:

http://www.atualeditora.com.br/portugueslinguagens/manual8.htm

Dos autores William Roberto Cereja, Thereza Analia e Cochar Magalhães

 

Os autores não se preocupam muito em definir Gêneros Textuais, preferindo resumir os pensamentos de Bakhtin já citados também por Marcuschi, como suas características "relativamente estáveis" e seus parâmetros: quem fala, para quem fala, em que contexto/situação, com que objetivo, etc.

A ênfase do texto é mais sobre as vantagens de introduzir produção de texto na escola baseado em gêneros textuais, por exemplo: amplia a competência lingüística e discursiva dos alunos e indica como eles, como cidadãos, através da linguagem, podem participar ativamente da sociedade. Exemplo: cartas de reclamação/solicitação também conscientizam os alunos que os cidadãos têm direitos de reclamar seus direitos e exigir providências das autoridades competentes. Cartas ao leitor e editoriais os conscientizam sobre o direito de expor suas opiniões e julgamentos.

O importante é expor o aluno à diversidade textual, transformar a sala de aula numa oficina de textos com produção de jornaizinhos da escola, entrevistas, redações e literatura, em suma, democratizar o ato de escrever.

Daí para frente o manual preenche a lacuna deixada por Marcuschi em seu texto, que é de fácil leitura e compreensão e com a proposta válida de introduzir o estudo de gêneros textuais em sala de aula mas não apresenta propostas práticas ou idéias para que o professor possa desenvolver essas atividades.

Portanto, minha avaliação de leiga neste assunto é que os dois textos são muito esclarecedores e interessantes, o Marcuschi com mais ênfase na teoria sobre gêneros textuais e o Manual focando em práticas que podem ser aplicadas em sala de aula. Os dois juntos formam o texto perfeito.

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Débora Ferreira

 

Não somente este texto vale a pena mas também os outros dos anais do congresso.O site é muito bom!

 

CARVALHO, Maria Angélica Freire de.Os gêneros do discurso e o texto escrito na sala de aula - uma contribuição ao ensino.

http://www.filologia.org/vicnlf/anais/os%20generos.html

 

O texto é muito interessante. Resgata várias das idéias apresentadas por Marcuschi, mas de uma perspectiva mais voltada para a sala de aula, pelo menos de forma mais direta. Ela também cita as idéias de Bakhtin e de Bronkart neste sentido e defende que os alunos devem não só estudar os gêneros cotidianamente, mas produzir, de maneira variada e intensa. Ela destaca a importância de saber reconhecer as características dos gêneros e saber identificar os fatores envolvidos nas escolhas que são feitas pelo autor quando acontece a produção. Vale a pena conferir!

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José Guilherme

       O ensino da língua privilegia o trabalho com a linguagem verbal por meio das práticas de LEITURA DE TEXTOS,de ANÁLISE DOS ASPECTOS GRAMATICAIS e de PRODUÇÃO DE TEXTOS. Essas três práticas são interativas,pois ocorrem inseparavelmente na língua e,na sua dinâmica,possibilitam os atos de ler,deouvir,de falar,de produzir e de analisar textos.

       Sendo o texto a unidade básica de ensino,a atual proposta de trabalho , busca o estudo e a análise de diferentes Gêneros Discursivos, e o aluno em sua prática escolar,deve ser exposto à pluralidade dos discursos que circulam no seu cotidiano ou que fazem parte de sua cultura.Ao levar,pois,o aluno a aprender a ler as estratégias discursivascom que se tecem os diferentes Gêneros,o professor está contribuindo com sua parcela para formar o cidadão no seu sentido pleno.

       Os Gêneros são definidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa como: formas relativamente estáveis de enunciados,disponíveis na cultura.Além disso,os PCNs não são leis ,mas é uma valiosa contribuição para quem pretende com a diversidade de gêneros em sala de aula.

 

BRASIL.Secretaria de Educação Fundamental.Parâmetros Curriculares Nacionais:terceiro e quarto ciclos de ensino fundamental:Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998.

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Maria Inês

 

No texto: Do professor suposto pelos PCNs ao professor real de língua portuguesa: são os PCNs praticáveis de Jacqueline Peixoto Barbosa, a autora também caracteriza os gêneros de acordo com a definição de Bakthin e da mesma forma que são definidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (volume 2):

 

“Todo texto se organiza dentro de um determinado gênero. Os vários gêneros existentes, por sua vez, constituem formas relativamente estáveis de enunciados, disponíveis na cultura, caracterizados por três elementos: conteúdo temático, estilo e construção composicional. (...)”.

 

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Paula Gonçalves

Outro texto onde há a definição de Gêneros textuais se encontra no PCN(Parâmetros Curriculares Nacionais-vol2).È uma definição semelhante 'a adotada por Marcuschi., e como a dele clara e objetiva.

Os gêneros são determinados historicamente.As intenções comunicativa, como parte dascondções de produção dos discursos, geram usos sociais, que determinam os gêneros que darão forma aos textos.Os vários gêneros existentes,constituem formas relativamente estáveis de enunciados, disponiveis na cultura, caracterizados por três elementos:contúdo temático, estilo e constrção composicional.

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Fernanda Gontijo e Raquel Mol

CARVALHO, Maria Angélica Freire de (UERJ, UNICAMP) Os Gêneros Do Discurso e o Texto Escrito na Sala de Aula. Texto extraído de busca na Internet.

         O texto de Maria Angélica Freire de Andrade faz algumas considerações sobre os Gêneros Textuais, objeto de estudo e pesquisa da Tarefa 1 parte 1, e relata algumas opiniões importantes sobre o assunto que vão acrescentar às extraídas do artigo de Marcuschi.

A autora introduz o texto com uma citação que traduz, de certa forma e em outras palavras, as idéias de Marcuschi:                      

                          “... o texto é um construto histórico e social, extremamente complexo e multifacetado, cujos segredos (quase ia dizendo mistérios) é preciso desvendar para compreender melhor esse ‘milagre’ que se repete a cada nova interlocução  a interação pela linguagem , linguagem que , como dizia Carlos Franchi, é atividade constitutiva.”

(Ingedore G. Villaça Koch: Nov. /2001)

O objetivo do texto é, conforme a autora mesma declara, fazer uma retomada às questão dos gêneros textuais, segundo a concepção e características apresentadas por Bakhtin e outros autores, bem como relacioná-las com a teoria e a prática do processo ensino-aprendizagem de produção de textos na escola. Além disso, relaciona os princípios nos quais estão baseados a classificação da diversidade de gêneros textuais apresentada por Bakhtin, comparando-os com as orientações contidas nos Parâmetros curriculares Nacionais que norteiam os professores das escolas do país.

Segundo Bakhtin o falante-ouvinte elabora uma estrutura comunicativa de acordo com uma situação lingüística determinada que se manifestará dentro dos padrões praticados pelos comunicadores no ambiente em que vivem - portanto marcadas pelo contexto social, cultural e histórico dos comunicadores. Ou seja, essas formas podem ter estruturas que variam de acordo com o contexto de produção e com a individualidade de cada indivíduo, ficando esses, soberanos em seus discursos. Logo, pode-se deduzir que há uma variedade infinita de formas para se classificar os gêneros textuais.

O texto de Maria Angélica cita também as opiniões de outros autores como SCHNEUWLY, professor da Faculdade de Psicologia e Ciências de Genebra. Para ele os mecanismos elaborados por um indivíduo para a compreensão de textos escritos e orais envolvem os elementos centrais da atividade humana que são: sujeito, ação, instrumento. O sujeito seria o elemento que enuncia a comunicação; a ação, a situação determinada em que ocorre a comunicação e o instrumento, a escolha do gênero textual que se vai se adequar á situação do momento.

A autora cita também BRONCKART, que argumenta que a realização de uma comunicação envolve capacidades do falante como se pode observar em suas próprias palavras:

               “A escolha do gênero deverá, portanto, levar em conta os objetivos visados, o lugar social e os papéis dos participantes. Além disso, o agente deverá adaptar o modelo do gênero a seus valores particulares, adotando um estilo próprio, ou mesmo contribuindo para a constante transformação dos modelos”. (BRONCKART, 1994).

 

Levando em consideração as idéias aqui expostas sucintamente sobre os gêneros textuais, Maria Angélica conclui ser de extrema importância a utilização, nas salas de aula, de diferentes gêneros textuais, porque quanto maior for o contato do aluno com os gêneros diversos de textos maior será a capacidade de se refletir e identificar os mecanismos lingüísticos que constituem o processo comunicativo.

Quanto aos Parâmetros Curriculares, afirma que “a elaboração desse programa e o reconhecimento de sua eficácia não bastam para que a prática educativa se dê de modo pleno e satisfatório”.

 O endereço do site da Maria Angélica é: www.filologia.org.br/vicnlf/anais/os%20generos.html

 

                                                      

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Emiliane Moraes
 
Comentário sobre o ensaio “O conhecimento de gêneros textuais e a formação doprofissional da Linguagem” de José Luiz Meurer.
 
        Em seu estudo, que prioriza a formação do profissional das Letras, Meurer propõe que o aprendizado da linguagem humana seja visto como o desenvolvimento da competência no uso de um número crescente de gêneros textuais. Segundo o autor, essa competência engloba, igualmente, a capacidade de compreender de maneira, também crescente, as práticas discursivas e as relações sociais associadas ao uso dos diferentes gêneros. Daí, surge a proposta de mudar, substancialmente, a formação do professor de linguagem.
        Ao analisar o texto, no decorrer da leitura, é interessante observar que, diferente de Marcuschi, Meurer não faz distinção entre gêneros e tipos textuais. O autor de “O conhecimento de gêneros textuais e a formação do profissional da Linguagem” afirma que “Gêneros textuais são tipos específicos de texto de qualquer natureza, literários ou não”. A preocupação de Meurer é separar gênero textuais de algo que ele chama de modalidade retórica. Sobre esta tal modalidade, o lingüista argumenta: “... as modalidades retóricas constituem as estruturas e as funções textuais tradicionalmente reconhecidas como narrativas, descritivas, argumentativas, procedimentais e exortativas.” Portanto, não é difícil concluir que tal modalidade diz respeito ao tipo textual descrito por Marcuschi. Surge, talvez, aqui, um problema de nomenclatura. Cabe, ao leitor, observar o conteúdo proposto minuciosamente e eleger a categorização mais adequada.
        Sobre a dinamicidade, pertinentes aos gêneros textuais, as posturas Meurer e Marcuschi são semelhantes em dois momentos. Quando ambos abordam a intertextualidade e vêem o hibridismo como fenômeno intenso e comum entre as diversas formas de textos. E, ainda, ao afirmarem que o contexto social, mais especificamente, o ambiente lingüístico – destaque para os gêneros discursivos - em que um falante é exposto determina seus relacionamentos sociais, conhecimentos, identidade e, até mesmo, vida pessoal.
 
FORTKAMP, Mailce Borges & TOMITCH, Lêda Braga. Aspectos da lingüística aplicada – estudos em homenagem ao professor Hilário Inácio Bohn. Florianópolis: Insular, 2000.
 

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Daniela Mitre

 

Sugiro, como complemento e acréscimo à leitura do texto de Marcuschi, o texto Entre a fala e a escrita: algumas reflexões sobre as posições intermediárias, de Diana Luz Pessoa de Barros.

Esse texto resalta as diferenças entre a fala e a escrita, porém aproximando-as de modo que uma possa conter elementos de outra. Isso quer dizer que alguns gêneros textuais podem se aproximar muito da oralidade, como é o caso dos e-mails e outros gêneros criados com o advento da informática e, principalmente, da internet.

O objetivo desse texto é focalizar a fala e a escrita enquanto modos discursivos, o que se torna de imensa necessidade aos profissionais da área.

Esta é a minha dica. Aproveitem!

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Débora Vieira  

CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e Interação. Atual, São Paulo: 2000.

 

Dica legal: Para quem trabalha ou pretende trabalhar com o ensino de Língua Portuguesa para o ensino Fundamental e médio, a bibliografia acima é uma boa indicação. É um livro que, pelo simples fato de ser um livro didático, apresenta alguns problemas... Entretanto, dentre os que temos no mercado, é uma boa aquisição, pois trabalha com inúmeros gêneros e apresenta boas propostas didáticas.

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Beatriz Bueres Batista
Cléber Vieira de Araújo

 

No intuito de complementarmos nosso trabalho gostaríamos de compartilhar com os colegas um material que consideramos relevante ao nosso curso encontrado no seguinte endereço
http://www.sescsp.com.br/sesc/convivencia/oficina/livrovivo/generos_literarios.htm

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Thati-Ane Ribas 
SCHNEUWLY, Bernard e DOLZ, Joaquim. Os gêneros escolares ? das práticas de linguagem aos objetos de ensino. Revista brasileira da educação. São Paulo: ANPED, n. 11, 1999, p. 5 - 16.
 
Ele trata da questão dos gêneros textuais na perspectiva da escola. Achei interessante indicá-lo como sugestão de leitura pq, ao contrário de Marcuschi, ele trata gêneros e tipos textuais como uma única coisa. Além disso, ele faz um comentário sobre a questão do gênero escolar que eu achei muito interessante. Ele afirma que todo texto que é feito para a escola segue um mesmo modelo, caracterizando-se, assim, como um gênero também. Isso me lembrou uma propaganda que saiu há um tempo atrás, em revistas, que trazia uma redação de um aluno sobre as férias. Esse material pode ser usado em muitas discussões acerca dos temas previsíveis que são trabalhados nas disciplinas de Produção de Textos nas escolas.

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José Euríalo dos Reis
 
Um outro texto interessante que já li, inserido na mesma coletânea, é o de REINALDO (2002), intitulado "A orientação para a produção de texto", em que a autora, reunindo contribuições de MARCUSCHI (2000) e SCHNEWLY & DOLZ (1996), aborda os gêneros textuais e sua relação com o ensino.  Dele, destaco dois trechos muito interessantes:
 
  "... gênero como um conjunto de enunciados relativamente estáveis de uso concreto na sociedade – a carta, o requerimento, o anúncio, o conto, a crônica, o artigo -, e a noção de tipo ou seqüência textual, definida como uma estrutura relativamente autônoma, dotada de organização interna que lhe é própria –a narração, a descrição, a argumentação, a explicação e o diálogo -, podendo figurar na composição dos diversos gêneros de circulação social." (p.89-90)</DIV>
 
  "... SCHNEWLY & DOLZ defendem que os gêneros que funcionam nas práticas sociais de linguagem passem a entrar no espaço escolar, numa continuidade entre o que é externo e o que é interno à escola" (p.90)
 
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel & BEZERRA, Maria Auxiliadora. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. p.19-36.
 
REINALDO, Maria Augusta Gonçalves de Macedo. A orientação para produção de texto. In: DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel & BEZERRA, Maria Auxiliadora. Gêneros textuais e ensino</EM>. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. p.87-100.

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