Aqui estão mais alguns elementos para nossa reflexão:

 

Nas respostas da tarefa 3 senti que alguns de vocês ainda não entenderam a diferença entre gênero e tipo textual. Sugiro então que vocês releiam o texto do Marcuschi e escolham outros textos indicados pelos colegas para ler, buscando clarear um pouco mais essas noções.

Vou tentar fazer uma resposta breve para as questões apresentadas. Essa é a minha visão e deve ser questionada, problematizada e quem sabe até defendida, por vocês:

 

É estranho considerar hipertexto (incluo aqui a hipermídia) um gênero. Parece que num hipertexto, nesse “novo espaço de escrita”, como define Marcuschi (2000) ou nesse novo “formato” (Coscarelli, 2002), cabem muitos gêneros, portanto, ele não seria um gênero.

O chat, sim, pode ser caracterizado como um gênero. O mesmo podemos dizer sobre o banner, o e-mail, e outros. Isso, se entendermos gênero como eventos comunicativos que se prendem a uma função sóciocomunicativa comum e que também trazem características formais comuns. Ou como melhor define Marcuschi (2002:22-23): “Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir aos textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica.”

Acho também inadequado dizer que hipertexto é um tipo textual como descrição, narração, argumentação, etc, porque uma mesma estrutura hipertextual pode conter uma narrativa, uma descrição, uma argumentação, ou tudo isso junto. Não há no hipertexto, uma “construção teórica definida pela natureza lingüística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas} Marcuschi (2002:22).

O hipertexto pode “hospedar” vários gêneros que, por sua vez, podem ser compostos de vários tipos textuais. Mas apesar disso, não acho que podemos dizer que o hipertexto seria um supoerte. A Web, assim como a TV e o livro, parece ser um suporte textual, é um novo veículo de circulação de dados (Minchillo, s/d), que, como leitores, transformamos em informação. No entanto, o hipertexto não é a WWW. Ela sim é um suporte, um veículo. O hipertexto é uma forma estruturação ou apresentação de textos muito usada nesse suporte.

E o site? O que seria? Um suporte ou um gênero?

 

Referências bibliográficas:

Coscarelli, C. V.  (Org.) Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

Marcuschi, L. A. O hipertexto como um novo espaço de escrita em sala de aula. In.: Azeredo, J. C. (Org.) Língua Portuguesa em debate: conhecimento e ensino. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

Minchillo, Carlos Alberto Cortez. Literatura em rede: tradição e ruptura no ciberespaço. Campinas: UNICAMP (Tese de doutorado). http://www.unicamp.br/iel/memoria/Teses/Carlos/ s/d

 

Essas questões podem e devem ser mais discutidas, não acham?