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Chat

 

Disciplina: Oficina de texto: Gêneros Emergentes

Professora:  Carla V. Coscarelli

 

O GÊNERO TEXTUAL CHAT

José Guilherme Barata Gomes

O computador está presente na vida de muitas pessoas e,nas atividades escolares o mesmo deve ser utilizadocomo um recurso a mais na produção do conhecimento. A Internet é um veículo de comunicação mais ativo que a televisão,por exemplo, pois o usuário interage com as mensagens que recebe e se comunica por e-maile nos grupos de discussão.
Estando conectado com alguma rede, pode o usuário destinar os textos produzidos a leitores reais, ou interagir com outros colegas também via rede, ampliando as possibilidades de interlocução por meio da escrita e permitindo acesso on-line ao conhecimento enciclopédico acumulado pela humanidade.
Os ingredientes mínimos para navegar na Internet são:Um computador e uma linha telefônica.
Para entrar na Internet, até um modelo antigo de computador resolve.O problema é a lerdeza para abrir uma página carregada de efeitos. Ainda que lentamente, o contato com os comptadores e conseqüentemente com a Inernet, já etá em andamento e novas formas de comunicação surgem, gerando novos Gêneros Textuais que ora vêm influenciando a vida das pessoas.

O Chat ou Bate-Papo Virtual, por exemplo, é um serviço oferecido na Internet capaz de realizar uma interação simultânea entre seus usuários. É um correio eletrônico on-line, ao vivo.
Uma grande quantidade de brasileiros freqüentam Chats diariamente. Numa sala de Bate-Papo Virtual é possível conversar 40 interlocutores simultâneamente. Eles são anônimos e para se protegerem, apresentam-se através de apelidos.

A comunicação é instantânea entre pessoas de diferentes localidades, podendo ser até de diferentes Países, pois a pergunta e a resposta são enviadas simultâneamente, a todos os participantes da sala virtual.
As discussões virtuais são realizadas em tempo real, podendo ser feitas através de mensagens escritas ou e vóz e além disso o própio usuário pode criar e usar vários símbolos.

Segundo a pesquisadora carioca Deise Gê, o sexo é o assunto mais assediado na rede. O sexo on-line é uma epidemia sobre a qual ninguém fala, mas documentos de pesquisa divulgaram no ano de 2000, um grande número de viciados em Cybersexe a categoria inclui indivíduos que passam mais de horas por semana navegando em sites eróticos.

Um novo levantamento realizado em 2001 teve como resultado, o aumento da média em número de viciados para 2 milhões e o tempo consagrado para os prazeres cibernéticos, de 15 a 25 horas por semana. Por isso, há necessidade de que os professores usuários da Internet tomem os devidos cuidados para que seus alunos do ensino fundamental, ainda que navegando pouco na rede, não corram os riscos de entrar em uma "relação casual" pelo computador, como por exemplo:

P.K., uma carioca de 29 anos, teve cinco namorados, mas com nenhum deles chegou ao orgasmo. Foi experimentá-lo pela primeira vez na rede mundial. A viagem rumo ao clímax com o convite à queima roupa formulado por um internauta mais afoito. "Quer fazer sexo eletrônico?" ,ele perguntou. A proposta deu margem a uma intensa e ardente troca de mensagens. P.K.seguiu as instruções do parceiro e abriu uma garrafa de vinho.Descreveu como estava vestida. Em seguida, despiu-se peça por peça. Colocou os pés sobre a mesa e acomodou o teclado no colo, olhos fixos na mensagem do sedutor desconhecido. "Estou bebebendo o vinho de sua taça e derramando gotas em seu peito " ,esreveu o amante acidental. P.K. molhou o corpo com a bebida. Ele continuou:"Agora eu beijo você, e suas mãos escorregam em minhas costas..." De instrução em instrução, P.K.consumou uma experiência singular.

Como pôde ser observado através desse exemplo, o sexo on-line pode ser uma experiência extremamente positiva para o amante cibernético, mas de extremo perigo para um menor do ensino fundamental. É importante que no trabalho escolar o professor analise criticamente que meio irá usar para interagir com seus alunos, pois o uso indevido do Gênero Chat pelos alunos, pode causar transtornos na vida dos mesmos, devido a essa moderníssima dependência que é o Cybersex.


BIBLIOGRAFIA:
* A informática? Folha de S.Paulo.16/06/1999.
* Revista Época.Ano IV. Sessâo Especial- Sexo on-line,de 23/07/2001.

 

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Elisa Melo Franco e Terezinha Pereira

Os chats - boca fechada. Vamos conversar?



O computador chegou, conquistou primeiro o mundo dos cálculos e devagar foi tomando conta do mundo dos sons, das cores, dos movimentos e também das letras. Em conseqüência, nossa maneira de ler, de elaborar textos e mesmo de compreender os seus sentidos foi se modificando e surgiu grande quantidade de gêneros textuais. Veio a multimídia, que trouxe dicionários, enciclopédias, almanaques, entrevistas, conferências, livros, jogos, etc. em CD Rom. Logo surgiu a Internet e com ela vieram o site, o blog, o banco de dados, a poesia visual/ infopoesia, a vídeo poesia, o e-mail, a mensagem eletrônica, que hoje é passada até por telefone celular, o cartão virtual, o webjornalismo, o chat, etc.

Marcuschi, especialista em Lingüística Textual, considera que a presença do computador na escola seja uma realidade da qual não podemos fugir e que o uso do computador está se tornando cada vez mais corriqueiro até mesmo nas escolas públicas do interior brasileiro. Ao mesmo tempo ele comenta que existem poucas reflexões críticas a respeito do uso da computação em sala de aula e que esse uso vem ocorrendo de modo ingênuo e despreparado. (Marcuschi, 2002:87)

Concordamos com esse pensamento de Marcuschi, principalmente quando ele diz que o uso do computador esteja ocorrendo de modo ingênuo e despreparado. Temos que levar em conta que todo o material usado na informática, máquinas, suportes, programas e uso da rede, é de custo muito elevado para a realidade do ensino brasileiro. Mas o computador está entre nós e em pouco tempo poderá fazer parte da escola como dela fazem parte o aluno e o professor. Por esse motivo o professor deve estar preparado para fazer uso do computador e para aproveitar de suas possibilidades de maneira perspicaz.

O professor de ensino fundamental, em seu contato diário com crianças e adolescentes já deve saber a respeito dos chats, que é um gênero textual de que os alunos que dispõem de Internet em casa, ou mesmo de sala de informática na escola costumam usar. Por ser um diálogo on-line, acreditamos que o chat seja o recurso mais usado por adolescentes na rede. Em algumas escolas, os professores já conhecem o sistema de funcionamento dos chats e em outras, provavelmente particulares, mais empenhadas com as modernidades da educação, até usam chats em sala de aulas, conhecidos como "chats educacionais", para atividades escolares.

A palavra chat, em inglês, significa conversa, usualmente versada sobre coisas de pouca importância. Podemos chamar chat de bate-papo, de tagarelice. Segundo o Aurélio: bate-papo é uma conversação amigável, simples e despretensiosa. Concluímos que chat e bate-papo são, portanto, a mesma coisa.

A seguir, estaremos apresentando alguns conceitos da palavra chat - na Internet. Essas definições foram citadas por alunos do curso de Letras da UFMG, semestre 2003/1, durante atividades de uma disciplina 0n-line:

"Salas de bate-papo virtuais em que os participantes trocam mensagens entre si de maneira informal. Ao entrar numa sala de bate-papo é possível escolher o tema de interesse da conversa. Existem também algumas regras de etiqueta e o uso de emoticons." ( Smileys ou emoticons são símbolos usados para indicar o conceito emocional do que está sendo escrito. Ex: :- ) / J = sorriso, brincadeira;

:- ( / L = tristeza) , etc)

"Bate-papo virtual aberto. Encontros de diversos falantes em ambiente
virtual programado. Predomina o diálogo e os assuntos podem ser programados. Há interação simultânea, relação síncrona, anônimos, trocas de turnos irregular e um se comunica com o outro através de nicknames (apelidos)."

"Conversa via Internet. Os locutores utilizam programas que proporcionam o bate papo. Nesta modalidade, um dos participantes consegue ver o que o outro escreve, em tempo real, podendo influenciar a sua próxima resposta.
www.uol.com > neste site, há várias salas de bate-papo, de acordo com faixa etária ou área de interesse."

"O chat é um serviço oferecido na Internet onde o usuário pode conversar com várias pessoas ao mesmo tempo, é um correio eletrônico 0n-line, ao vivo, em que você lê ao mesmo tempo a mensagem enviada e sua resposta. É um bate-papo de várias pessoas numa sala virtual. A pergunta e resposta são enviadas, simultaneamente, a todos os participantes da sala."

"Diálogo on-line, ou seja, uma conversa em que os participantes digitam sua fala. Traz uma linguagem muito informal e cheia de particularidades, como o uso de abreviaturas ( ex: blz = beleza, kd = cadê, vc = você, rs = risos , tc = teclar ), uso de letras minúsculas e maiúsculas de acordo com a intenção do internauta. A objetividade e a rapidez são elementos básicos. Ex: bate-papo da UOL" (Coscarelli, 2002:69)

"Tipo de conversa eletrônica, onde os internautas se encontram em salas de bate-papo. A linguagem geralmente é informal, regada de símbolos e de dialeto próprio. Cada usuário pode se identificar com um "nick", ou pseudônimo e "falar" abertamente na sala ou reservadamente com qualquer usuário. A opção "reservadamente" só é mostrada para os usuários que a escolherem."

"Chat- Diálogo on-line, promovendo uma interação simultânea e sincrônica. Possui uma linguagem muito informal, em que a objetividade e a rapidez são elementos básicos. Usam-se emoticons, abreviaturas , letras minúsculas de forma geral, e letras maiúsculas para indicar que o internauta está "gritando". É possível conversar (teclar) com várias pessoas ao mesmo tempo, e há a opção de a conversa ser compartilhada com todos ou não (reservadamente). Ex: bate-papo da UOL, do Yahoo, do Hotmail, do Ig". (Souza, 2002:111, sobre "comunicação sincrônica".


"Sala de bate-papo on-line, onde as pessoas 'entram' para conversar, trocar informações, divertir, etc. Caracteriza-se pelo registro informal (abreviaturas, etc) e possui um "dialeto próprio" dos usuários. Além dos recursos verbais, há também outros tipos, como os emoticons (que expressam o que a pessoa está sentindo, etc). Geralmente as pessoas usam apelidos/codinomes para não serem identificadas. ( Aqui fazemos um comentário: copiar falas dos chats pode ser uma atividade bastante interessante para sala de aula: discutir esse "dialeto próprio" usado pelos "navegantes", conversar sobre linguagem oral e escrita, a proximidade da linguagem dos chats com a linguagem oral, os apelidos, o porque dos apelidos, o motivo pelo qual os usuários não querem ser identificados, será que os "emoticons" servem mesmo para representar sentimentos semelhantes que demonstramos quando conversamos frente com as pesoas, etc.)

Há alguns tipos de Chats que exigem do usuário um software para que eles possam bater-papo. Por exemplo: o MIRC - espécie de chat, onde os internautas se agrupam por canais que possuem controladores/ operadores (pessoa que gerencia o canal) específicos. Ex: entrando no programa do MIRC você consegue se comunicar com quem está logado. É o mais popular programa de IRC ( Internet Relay Chat) da Internet. O site: www.brturbo.com/turbopapo/papo-irc.htm ( Acessado em 01/06/2003).

Entrevistas on-line - Entrevista realizada num contexto virtual,
caracterizada pela objetividade e por um grande número de interlocutores. Ex: entrevistas com celebridades, como as que ocorrem no site
www.multishow.com.br (Programa Bate-papo Digital)

O chat educacional (Abreu, 2002:87), é um novo gênero e também uma ferramenta de trabalho, com objetivos como: promover sessões para tirar dúvidas, ser usado como o horário de atendimento do professor para responder a dúvidas de alunos.


Diversas são as definições para chat, como bate-papo virtual que, a nosso ver se complementam. Algumas características são repetidas nas diversas definições com o uso de outros termos. Observamos que, nesses conceitos para um único gênero que surgiu com a informática podemos notar uma grande quantidade de palavras novas, em português ou não que foram usadas. Os professores de ensino fundamental precisam ficar atentos a essa nova linguagem que já faz parte dos dias de hoje e procurar conhecer cada vez mais sobre essas novidades. Para que conheçam e tirem proveito de todos os benefícios da informática seria interessante que fizessem muitas leituras sobre o tema. Cientes das vantagens do bom uso e também das desvantagens do uso aleatório do computador na escola é que terão argumentos suficientes para poder cobrar da direção da escola ou mesmo do governo, no caso de escolas públicas, a aquisição de máquinas, programas, instalação de rede e cursos de treinamento.



Bibliografia:
ABREU, Lília Santos. O chat educacional: o professor diante desse gênero emergente. In: Dionísio, Angela Paiva, Machado, Anna Rachel , Bezerra, Maria Auxiliadora (orgs) . Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

COSCARELLI, C.V. Entre textos e hipertextos. In: Coscarelli C.V. (Org.). Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar. Belo Horizonte: Autêntica, 2002

MARCUSCHI, Luiz Antônio. O hipertexto como um novo espaço de escrita em sala de aula. In: Azeredo, José Carlos. Língua Portuguesa em debate. Petrópolis:
Vozes, 2000

SOUZA, Ricardo Augusto de. Comunicação mediada pelo computador: o caso do chat. In: Coscarelli C.V. (Org.). Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar. Belo Horizonte: Autêntica, 2002

Dicionário:

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986

 

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Renata Tunes Santos e José Villefort.

1- Descrevendo o chat

O chat é um meio de conversação que surgiu com o advento da Internet. A conversação só se realiza através das ferramentas do computador via canal eletrônico e é atípica, não necessariamente correspondendo aos padrões tradicionais da língua. Os diálogos se aproximam dos diálogos em uma conversa telefônica, sendo sincronizados em tempo real, onde os interlocutores têm que escrever suas mensagens. Apesar da sensação de estarem falando, os diálogos são na verdade formatados num "texto falado por escrito" (Hilgert, 2000, p.17),numa "conversação com expressão gráfica"(Barros, 2000, p.74).Para entrar numa sala de encontro virtual,ou chat,o usuário deve estar conectado à Internet, então escolhe um canal, oferecido por provedores diversos, partindo de suas áreas de interesse. Esses canais são geralmente classificados por assuntos, propondo conversações sobre os mais variados temas. O internauta então se identifica através de um nome qualquer, geralmente em forma de apelido (nickname), se junta ao grupo de pessoas daquela sala ou assunto escolhido e passa a participar das conversações. Ao conectar-se, as mensagens aparecem imediatamente nas telas dos computadores de todos os usuários que estiverem conectados àquele canal, naquele exato momento.A conversa é pública na tela principal onde, à direita, aparece uma lista com o nome de todos os usuários conectados. Para se trocarem mensagens privadas, a interlocução se efetiva através de telas separadas, denominadas PVT (private). Dentro destas telas, a interação só pode se dar entre dois usuários. No entanto, é possível interagir com várias pessoas ao mesmo tempo, na medida em que janelas vão sendo abertas na tela principal do computador.
A partir daí, as conversas se desenrolam, numa rede de ligações na qual recebem-se mensagens que, se desejadas, podem ser respondidas numa alternância ininterrupta de enunciados.

2 - O chat como produção de linguagem

Ao tentar analisar o chat como gênero textual, podemos recorrer a Bakhtin (1992; 1999),que diz que toda enunciação corresponde a determinado tipo de intercâmbio da comunicação social apresentando, contudo, formas sistemáticas ou tipos estáveis que por ele são denominados gêneros discursivos. Bakhtin distingue gênero do discurso primário e gênero do discurso secundário. Os primários seriam aqueles mais triviais, naturais de uma conversação espontânea da vida cotidiana imediata,enquanto que os secundários, mais elaborados e principalmente apresentados sob a forma escrita, seriam aqueles apresentados em circunstâncias de comunicações culturais mais complexas e relativamente mais evoluídas. Há em cada época humana a prevalência de determinados gêneros, refletindo, deste modo, todas as transformações por que passa a vida social.
Os gêneros discursivos são vários, assim como são diversas e inesgotáveis as práticas sociais da atividade humana. Na medida em que essas práticas tornam-se cada vez mais complexas,num processo contínuo de evolução,os gêneros do discurso vão sendo incorporados por outros, sofrendo uma nova reestruturação. Esse processo implica, necessariamente, num novo procedimento organizacional e conclusão do todo verbal, modificando também nele o lugar do interlocutor. É este também o processo de formação dos gêneros secundários que absorvem e transmutam os primários de todas as espécies, que se constituíram em circunstâncias de uma comunicação verbal espontânea. Ao se tornarem componentes dos gêneros secundários,os primários, perdem, então, a sua relação direta com o contexto imediato e com a realidade dos enunciados.
O chat,por ser produzido via computador,tem como suporte uma escrita reestruturada, portanto, diferentemente do que ocorre em uma conversação realizada face a face. Geralmente, no chat são usados períodos curtos e simples, com marcas de envolvimento entre os interlocutores, alto grau de informalidade e descontração,assim como a presença de marcadores conversacionais.Essas são algumas das características que podem indicar uma possível aproximação deste texto com características da fala cotidiana. Os enunciados neste novo contexto, portanto, por serem breves e concisos,são expressos através de uma escrita geralmente abreviada, sem muitas preocupações com aspectos normativos. Gestos e expressões faciais próprias de uma interação face a face, são substituídos pelos interlocutores do chat através de símbolos próprios que são criados ou copiados a cada momento.Por ser extremamente curto o tempo transcorrido entre um pensamento e a escrita de uma palavra ou frase e a sua visualização,o interlocutor precisa de destreza e uma grande agilidade no momento em que está "teclando". Dessa forma, eventuais problemas de digitação e equívocos no uso padronizado da língua que aparecem no texto do chat com uma frequência considerável, podem ser transformados em novos símbolos de conversação. Embora sejam marcas de enunciados, o apagamento de uma série de constituintes da oração, como o sujeito e o verbo os erros de digitação ,o excesso de pontos de interrogação e exclamação ,a ausência de sinais de pontuação e acentuação, não chegam a comprometer a compreensão dos mesmos. Além disso, o uso dos emotions contribuem no processo de compreensão dos enunciados, uma vez que se caracterizam enquanto ícones que traduzem as emoções de um interlocutor ao outro.
Segundo MARCUSCHI, o chat poderia ser classificado como um gênero textual, na medida em que a expressão gênero textual se refere aos textos materializados que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais e estilo, sendo composto por seqüências tipológicas de base. Sendo assim, quando nomeamos certos textos como narrativos, descritivos ou argumentativos, não estamos nomeando o gênero, e sim, o predomínio de um tipo de seqüência de base. O segmento abaixo é um exemplo típico de conversação via chat e pode ser trabalhado pelo professor em sala de aula, estimulando nos alunos uma reflexão mais profunda sobre os vários níveis e registros de linguagem , bem como uma discussão sobre o uso coloquial da língua e suas implicações.

Inicio da sessão: Fri May 19 02:02:38 2000

1.<Rolls_> olá tudo bemm????? ;-)
2.<[lilijf]> oi, tudo!
3.<Rolls_> +- L e aí tc de JF mesmo?
4.<[lilijf]> sim
5.<[lilijf]> e vc?
6.<Rolls_> tb qts anos?
7.<[lilijf]> tenho 26
8.<[lilijf]> e vc?
9.<Rolls_> poxa eu tenhu um pokim - hehe 18
10.<Rolls_> e aí animada pra festa country?
11.<[lilijf]> nada...
12.<Rolls_> XIIIIIIIIIIII pq? vc é + caseira? :-/
13.<[lilijf]> sou sim
14.<Rolls_> hehe injuo di sair n''e
15.<[lilijf]> ate q saio, mas naum to mto pra confusaum naum
16.<Rolls_> a eu tb num sou de sair muito nao mas eu vou nakela festa nu
zeze e nu paralamas
17.<[lilijf]> nossa, o show do paralamas deve ficar mto bom!
18.<Rolls_> HUUUUUMMMMMMMMM
19.<Rolls_> poxa xou eu axu ki tem akela coisa animada ne
20.<Rolls_> eu adro o ze ramaio mas num vou nu xou dele nao
21.<Rolls_> mas aki c num vai nenhum dia??????
22.<[lilijf]> vou naum
[...]
23.<[lilijf]> vc frequenta esse canal ha mais tempo?
24.<Rolls_> a tem mais de um ano
25.<[lilijf]> ah, ta!!!!!!!!!!!!!!!!!!
26.<Rolls-curioso> aki eu escrevo tudo errado aki na net percebeu?????
27.<Rolls_-_> a todo mundo escreve HERRADO
28.<[lilijf]> hehehe
29.<Rolls_-_> num é só mim
30.<Rolls_-_> hah
31.<Rolls_-_> aa
32.<[lilijf]> hahahahahaha
33.<Rolls_-_> poxa
34.<[lilijf]> pq vc acha q essa escrita ficou assim?
35.<[lilijf]> aki no chat
36.<Rolls_-_> é ki vai mais rapido
37.<[lilijf]> e, tb acho
38.<[lilijf]> mas to me acostumando ainda
39.<Rolls_-_> a copiando todo mundo
40.<[lilijf]> eh
41.<Rolls_-_> saca
42.<Rolls_-_> po vou tentar parar
43.<Rolls_-_> otro dia ja ia botando Rolls na minha prova
44.<Rolls_-_> é mole
45.<[lilijf]> hahaha
46.<[lilijf]> ce acostuma ne?
47.<Rolls_-_> di escrever errrado
48.<Rolls_-_> é ja acustumei
49.<[lilijf]> ja escreveu outras coisas como aki na net na hora de escrever
no papel/
50.<Rolls_-_> nao até ki nao
51.<Rolls_-_> mas sempre quase
52.<[lilijf]> entendi
53.<Rolls_-_> aki axu ki eu to indo
54.<[lilijf]> mas ja?
55.<[lilijf]> :(
Fim da sessão: Fri May 19 03:11:34 2000



Referências Bibliográficas

BRAIT, Beth. As vozes bakhtinianas e o diálogo inconcluso. In: BARROS, Diana Pessoa de.
FIORIN, José Luiz.Dialogismo, Polifonia, Intertextualidade. São Paulo: EdUSP, 1994.
BARROS, Diana Luz Pessoa de. Entre a fala e a escrita: algumas reflexões sobre as posições intermediárias.
In: PRETI, Dino (org). Fala e escrita em questão. São Paulo: Humanitas,USP, 2000.
CASALEGNO, Federico. Hiperliteratura, sociedades hipertextuais e ambientes comunicacionais. In: MARTINS, Francisco Menezes & SILVA, Juremir Machado da. (orgs).
Para navegar no século XXI. Tecnologias do imaginário e cibercultura. Porto Alegre: Sulina/Edipucrs, 1999.
MARCUSCHI,Luis Antônio.Gêneros textuais e ensino.Rio de janeiro: Lucerna,2002


 

 

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